Em uma distribuidora, o desperdício de mercadorias nem sempre acontece porque um produto foi danificado ou venceu. Muitas perdas começam antes, quando a empresa compra quantidades acima da demanda, armazena produtos inadequadamente, separa pedidos incorretos ou precisa realizar devoluções por falhas na entrega.

Aplicar a Logística sustentável significa identificar essas situações e organizar os processos para aproveitar melhor os recursos disponíveis, diminuir descartes e evitar gastos desnecessários.

Na prática, uma distribuidora pode reduzir desperdícios sem comprometer a disponibilidade dos produtos ou a qualidade das entregas. Para isso, precisa controlar as compras, acompanhar a validade das mercadorias, melhorar o armazenamento e identificar as causas das perdas.

Entenda como aplicar essas medidas no dia a dia e quais indicadores ajudam a identificar onde a empresa está perdendo dinheiro.


Por que o desperdício de mercadorias é um problema para as distribuidoras?

O desperdício de mercadorias prejudica a distribuidora porque representa dinheiro investido em produtos que não poderão gerar o retorno esperado. Além do valor da compra, a empresa pode perder recursos com armazenamento, movimentação, transporte, devoluções e descarte.

Quando uma mercadoria é perdida, o prejuízo normalmente vai além do custo registrado no estoque.

Imagine uma distribuidora de alimentos que comprou 100 caixas de determinado produto, mas não conseguiu vender 15 antes do vencimento.

Nesse caso, a empresa não perde apenas o valor das 15 caixas. Ela também utilizou espaço no depósito, mão de obra no recebimento e recursos para armazenar mercadorias que acabaram descartadas.

Esse problema é especialmente importante em operações que trabalham com:

  • Alimentos e bebidas com prazo de validade;

  • Produtos refrigerados ou congelados;

  • Mercadorias frágeis, como garrafas e embalagens de vidro;

  • Produtos com baixa rotatividade;

  • Grandes volumes de caixas, fardos e unidades;

  • Mercadorias que exigem condições específicas de conservação.

O Ministério da Agricultura e Pecuária aborda as perdas e o desperdício de alimentos ao longo da cadeia de abastecimento, reforçando a importância de melhorar os processos de conservação, movimentação e distribuição.

Qual é a relação entre desperdício e logística sustentável?

A logística sustentável procura reduzir os impactos ambientais e melhorar o aproveitamento dos recursos utilizados nas operações.

Nas distribuidoras, isso envolve evitar que produtos sejam descartados desnecessariamente, diminuir movimentações repetidas, utilizar embalagens adequadas e melhorar o planejamento das entregas.

Por exemplo, quando uma empresa evita o envio de mercadorias incorretas, também evita uma possível devolução, o consumo adicional de combustível e a utilização de novas embalagens.

Portanto, reduzir desperdícios pode trazer benefícios financeiros e ambientais ao mesmo tempo.


Onde acontecem os principais desperdícios de mercadorias na distribuidora?

As perdas podem acontecer desde a compra até a entrega ao cliente. Para identificá-las, a distribuidora precisa acompanhar todas as etapas da movimentação das mercadorias, porque o problema nem sempre aparece no mesmo setor em que foi causado.

A tabela apresenta situações comuns e medidas para evitá-las.

Etapa da operação Causa do desperdício Como reduzir o problema
Compras Aquisição acima da demanda Analisar histórico de vendas e giro dos produtos
Recebimento Entrada de produtos danificados ou com validade insuficiente Conferir embalagens, quantidades, lotes e datas
Armazenamento Empilhamento incorreto e conservação inadequada Organizar locais e respeitar as condições de armazenamento
Controle de estoque Produtos esquecidos ou com saldos incorretos Realizar inventários e acompanhar movimentações
Separação de pedidos Troca de mercadorias e quantidades incorretas Conferir os itens antes da expedição
Transporte Avarias durante o carregamento e a entrega Proteger e organizar corretamente as cargas
Devoluções Retorno de produtos sem identificação ou análise Registrar motivos e avaliar as condições das mercadorias

A logística sustentável começa quando a empresa identifica quais dessas situações ocorrem com maior frequência e concentra seus esforços nas principais causas.

Como descobrir quais perdas realmente estão acontecendo?

O primeiro passo é registrar os produtos perdidos e identificar os motivos.

Durante um período inicial de 30 dias, a distribuidora pode acompanhar:

  • Produto e código de identificação;

  • Quantidade perdida;

  • Lote e validade, quando aplicáveis;

  • Data e setor em que ocorreu a perda;

  • Motivo: vencimento, avaria, erro de separação ou outro;

  • Valor da mercadoria, considerando seu custo de aquisição.

Esses registros permitem identificar padrões.

Se a maioria das perdas estiver relacionada ao vencimento, será necessário revisar as compras e a rotatividade dos produtos.

Se os problemas estiverem concentrados nas entregas, a prioridade deverá ser a conferência, o acondicionamento e o transporte.

O mais importante é corrigir a origem do problema, e não apenas registrar a mercadoria descartada.


Como evitar compras excessivas e reduzir produtos parados no estoque?

Para evitar compras desnecessárias, a distribuidora precisa relacionar a quantidade adquirida à demanda real, ao prazo de reposição e à validade dos produtos. Comprar grandes volumes apenas para aproveitar descontos pode gerar prejuízos quando as mercadorias permanecem armazenadas por muito tempo.

Uma das principais causas do desperdício é a falta de planejamento entre os setores de compras, vendas e estoque.

Analise o histórico de vendas antes de realizar novos pedidos

O histórico comercial ajuda a identificar quais produtos possuem saída constante e quais permanecem parados no depósito.

Antes de realizar uma compra, é importante observar:

  • Quantidade vendida nos últimos meses;

  • Variações de demanda durante o período;

  • Produtos com maior e menor rotatividade;

  • Quantidades disponíveis e já reservadas;

  • Prazo de entrega dos fornecedores;

  • Validade restante das mercadorias.

Imagine uma distribuidora que comercializa, em média, 200 caixas mensais de determinado produto.

Se a empresa possui 350 caixas armazenadas e recebe uma proposta de compra de outras 200, é necessário verificar se a demanda futura justifica essa aquisição.

Embora o fornecedor ofereça um desconto, o produto poderá permanecer no estoque por vários meses.

Dependendo da validade e das condições de conservação, a economia na compra pode não compensar o risco de perdas.

Defina o momento certo de repor as mercadorias

Uma forma de melhorar o planejamento é utilizar o ponto de reposição.

Esse indicador considera a demanda média durante o prazo de entrega do fornecedor e uma quantidade adicional de segurança.

Ponto de reposição = (consumo médio diário × prazo de reposição em dias) + estoque de segurança

Considere um exemplo hipotético:

  • Consumo médio: 12 caixas por dia;

  • Prazo de entrega do fornecedor: 5 dias;

  • Estoque de segurança: 15 caixas.

O cálculo será:

(12 × 5) + 15 = 75 caixas.

Nesse cenário, quando a posição de estoque atingir aproximadamente 75 caixas, a empresa deverá avaliar a necessidade de reposição.

A posição de estoque precisa considerar o saldo disponível, os pedidos de compra pendentes e as reservas existentes, evitando compras duplicadas.

Esse cálculo representa um ponto de partida. Produtos com demanda irregular, sazonalidade ou validade curta precisam de uma análise adicional.

Na logística sustentável, o objetivo não é simplesmente diminuir as compras, mas manter mercadorias suficientes para atender aos clientes sem acumular quantidades que dificilmente serão comercializadas.


Como organizar o armazenamento para diminuir perdas por vencimento e avarias?

A organização do armazenamento reduz desperdícios quando facilita a identificação, a localização e a conservação das mercadorias. Produtos com validade próxima, embalagens danificadas ou condições especiais de armazenamento precisam receber atenção antes de serem separados para venda.

Utilize o método FEFO para controlar produtos com validade

O método FEFO (First Expired, First Out) significa que os produtos com vencimento mais próximo devem sair primeiro, desde que estejam em condições adequadas de comercialização.

Ele é especialmente útil para distribuidoras de alimentos, bebidas e outras mercadorias com prazo de validade.

Imagine o seguinte cenário:

Lote Quantidade Validade restante
A 30 caixas 20 dias
B 50 caixas 60 dias
C 40 caixas 90 dias

Se um cliente solicitar 25 caixas, a tendência será priorizar o lote A.

Entretanto, a escolha também deve considerar o prazo necessário para entrega, o tempo de comercialização pelo cliente e os critérios de validade mínima acordados.

Essa medida evita que produtos mais antigos permaneçam esquecidos enquanto os recém-recebidos são vendidos.

Garrafas, latas e caixas organizadas em prateleira de distribuidora para facilitar o controle de estoque e a rotatividade de mercadorias.

Qual é a diferença entre FEFO e PEPS?

O FEFO prioriza a data de vencimento. Já o PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) considera a ordem de entrada das mercadorias no estoque.

Uma distribuidora pode receber hoje um produto que vence antes de outro recebido na semana passada.

Nesse caso, seguir exclusivamente a ordem de chegada pode provocar desperdícios. Por isso, quando a validade é relevante, o FEFO costuma ser mais adequado para definir a sequência de expedição.

Estabeleça uma rotina de acompanhamento das validades

Não basta cadastrar a data de vencimento e consultar essa informação somente durante o inventário.

A distribuidora pode estabelecer alertas internos de acordo com o tipo de mercadoria e seu ciclo de venda.

Por exemplo, determinados produtos podem exigir acompanhamento quando estiverem a 60, 30 ou 15 dias do vencimento.

Esses intervalos são apenas exemplos operacionais, não prazos obrigatórios. A configuração deve considerar a validade total, as exigências dos clientes e o tempo de distribuição.

Quando um produto se aproxima do vencimento, a empresa pode avaliar uma ação comercial antecipada, negociar uma devolução ao fornecedor quando contratualmente permitida ou evitar novas compras daquele item.

A Anvisa disponibiliza orientações sobre a determinação da validade dos alimentos, considerando critérios técnicos de qualidade e segurança.

Por isso, as ações comerciais não devem desconsiderar as condições de conservação e segurança estabelecidas para cada mercadoria.

Respeite as condições de armazenamento de cada produto

Uma mercadoria pode perder suas condições de comercialização antes do vencimento quando é armazenada inadequadamente.

Isso pode ocorrer por fatores como:

  • Exposição a calor, luz ou umidade inadequados;

  • Empilhamento acima dos limites recomendados;

  • Armazenamento próximo a produtos incompatíveis;

  • Danos provocados pela movimentação de paletes;

  • Falhas na refrigeração;

  • Ausência de controle de pragas e limpeza.

Para produtos que exigem refrigeração, é necessário monitorar as temperaturas conforme as especificações aplicáveis, manter registros e verificar o funcionamento dos equipamentos.

A manutenção preventiva de câmaras frias e equipamentos também deve fazer parte desse cuidado. Quando houver uma estrutura própria de manutenção, a organização das ordens de serviço pode ajudar a registrar inspeções, falhas e reparos necessários.

O objetivo é identificar problemas antes que comprometam um lote inteiro de mercadorias.


Como melhorar o controle de estoque para evitar desperdícios?

Um controle de estoque eficiente permite identificar quais mercadorias estão disponíveis, onde estão armazenadas e quais precisam de atenção. Para reduzir desperdícios, é necessário manter os registros atualizados e conferir periodicamente se as informações do sistema correspondem às quantidades físicas.

Realize a conferência das mercadorias no recebimento

O controle começa quando os produtos chegam à distribuidora.

Antes de liberar a entrada para comercialização, o responsável deve conferir as quantidades, verificar a identificação e observar as condições das embalagens.

Nos produtos sujeitos a controle de lote e validade, essas informações também precisam ser verificadas.

Imagine que uma distribuidora receba 80 caixas de bebidas e identifique quatro embalagens danificadas.

Se todas forem registradas como disponíveis, a equipe comercial poderá vender mercadorias que não deveriam estar liberadas.

O procedimento correto é registrar a divergência, separar as caixas comprometidas e avaliar a providência necessária com o fornecedor.

Dessa forma, os produtos problemáticos não entram no fluxo normal de separação.

Utilize códigos de barras para diminuir erros de movimentação

Os códigos de barras facilitam a identificação das mercadorias durante o recebimento, a separação, as transferências e os inventários.

Entretanto, é importante entender que o código de barras não elimina os erros automaticamente.

Ele precisa estar associado ao cadastro correto, às unidades de medida e às informações exigidas pela operação.

Uma distribuidora que vende determinado produto em unidades e caixas deve manter as conversões devidamente configuradas para evitar divergências.

O controle de estoque com código de barras pode ajudar a padronizar essas movimentações e diminuir a dependência de registros manuais.

Para produtos controlados por lote, a leitura do código comercial precisa ser complementada pela identificação do lote correspondente, sempre que essa informação não estiver contida no próprio código utilizado.

Funcionário utilizando leitor de código de barras para conferir mercadorias armazenadas em prateleira de distribuidora.

Faça inventários periódicos

O inventário permite comparar a quantidade física com os registros do sistema.

Não é necessário esperar o encerramento do ano para descobrir diferenças significativas.

A distribuidora pode realizar inventários rotativos, verificando grupos específicos de produtos ao longo da semana.

Itens com maior valor, alta movimentação, histórico de divergências ou validade curta podem receber atenção prioritária.

Considere uma mercadoria com 120 unidades registradas no sistema e apenas 116 encontradas fisicamente.

A diferença de quatro unidades precisa ser investigada.

Ela pode ter sido provocada por uma movimentação sem registro, erro de contagem, separação incorreta ou avaria.

Ajustar o saldo sem descobrir a causa pode esconder um problema recorrente.

Para aprofundar esse procedimento, é possível consultar como fazer inventário com código de barras de maneira mais rápida.

Na logística sustentável, um estoque confiável ajuda a evitar compras desnecessárias e reduz o risco de mercadorias permanecerem esquecidas no depósito.


Como diminuir desperdícios durante a separação e a distribuição dos pedidos?

A redução de perdas na distribuição depende de conferir os pedidos, proteger adequadamente as mercadorias e organizar o transporte. Quando essas etapas apresentam falhas, a empresa pode enfrentar devoluções, novas entregas, produtos danificados e custos adicionais.

Confira os produtos antes do carregamento

Um erro de separação pode gerar desperdício mesmo quando a mercadoria não sofre nenhum dano.

Imagine um cliente que solicitou dez caixas de determinado produto, mas recebeu outra versão da mesma mercadoria.

Se o cliente não puder utilizar os itens enviados, a distribuidora precisará organizar a devolução e realizar uma nova entrega.

Além do custo de transporte, o retorno poderá comprometer a integridade das embalagens e aumentar o tempo de permanência das mercadorias fora do depósito.

Para evitar essas situações, é importante conferir o código do produto, a quantidade, a unidade de venda, o lote quando aplicável e a identificação do cliente.

Uma conferência antes do carregamento costuma ser mais simples e menos onerosa do que corrigir uma entrega depois que o veículo já saiu.

Organize as cargas para evitar avarias

O acondicionamento inadequado é outra causa de desperdício.

Caixas pesadas posicionadas sobre produtos frágeis, paletes mal organizados e mercadorias sem proteção adequada podem resultar em quebras, vazamentos e deformações.

A equipe responsável pelo carregamento deve considerar as características de cada produto.

Algumas medidas importantes são distribuir corretamente o peso, respeitar os limites de empilhamento, utilizar sistemas de fixação adequados e evitar espaços que permitam movimentações excessivas durante o transporte.

Reduzir o consumo de embalagens pode fazer parte da logística sustentável, mas essa redução não deve comprometer a proteção das mercadorias.

Uma embalagem aparentemente mais econômica pode gerar um custo maior se aumentar o número de produtos danificados.

Caixas de papelão e engradados organizados e protegidos com cintas de fixação no interior de caminhão de distribuição.

Evite entregas desnecessárias

Falhas de comunicação também podem provocar desperdícios durante a distribuição.

Isso acontece, por exemplo, quando um pedido é enviado para um estabelecimento que não poderá recebê-lo ou quando a entrega precisa ser repetida porque os produtos foram separados incorretamente.

A empresa pode reduzir essas ocorrências confirmando as informações do pedido, respeitando os horários de recebimento dos clientes e agrupando entregas de maneira adequada.

Para mercadorias perecíveis, o planejamento também precisa considerar o tempo de percurso e as condições de conservação.

O objetivo é reduzir deslocamentos sem comprometer a qualidade das entregas.


O que fazer com mercadorias devolvidas, avariadas ou próximas do vencimento?

As mercadorias devolvidas precisam passar por uma avaliação antes de voltar ao estoque disponível. Dependendo das condições, poderão ser revendidas, devolvidas ao fornecedor, encaminhadas para destinação adequada ou, no caso de alimentos próprios para consumo, consideradas para doação conforme a legislação.

Separe produtos devolvidos daqueles disponíveis para venda

Uma devolução não significa necessariamente que a mercadoria esteja imprópria.

O cliente pode ter recebido uma quantidade incorreta ou solicitado uma troca de produto.

Entretanto, antes de disponibilizar novamente os itens, a distribuidora deve verificar suas condições.

O ideal é utilizar classificações distintas para mercadorias:

  • Disponíveis para comercialização;

  • Em análise ou quarentena;

  • Avariadas;

  • Vencidas ou impróprias;

  • Aguardando devolução ao fornecedor;

  • Destinadas ao descarte ou tratamento adequado.

Essa separação evita que produtos comprometidos sejam enviados novamente aos clientes.

Nos alimentos perecíveis, a avaliação precisa considerar também as condições de transporte, conservação e segurança durante todo o período em que estiveram fora do controle da distribuidora.

Caixa de papelão amassada e produtos com embalagens danificadas separados sobre bancada para inspeção de mercadorias.

Avalie alternativas antes do descarte

Quando um produto apresenta baixa saída, mas permanece em condições adequadas de comercialização, a distribuidora pode avaliar ações para evitar sua perda.

Uma possibilidade é oferecer condições comerciais específicas aos clientes que consigam utilizar a mercadoria dentro da validade.

Outra alternativa é negociar com o fornecedor a troca de lotes próximos do vencimento, quando houver previsão contratual para isso.

Essas decisões devem considerar o custo, a margem de contribuição, as condições do produto e o prazo restante para utilização.

A redução do desperdício não deve justificar a comercialização de mercadorias inseguras ou inadequadas.

A doação de alimentos pode ser uma alternativa?

Sim, desde que os produtos atendam às exigências legais e sanitárias.

A Lei nº 15.224/2025 instituiu a Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos e estabeleceu critérios para a doação de alimentos, incluindo requisitos relacionados à validade, qualidade e segurança sanitária.

Antes de realizar uma doação, a distribuidora deve verificar as condições dos produtos, os requisitos aplicáveis e a necessidade de avaliação por profissional habilitado.

Os alimentos impróprios para consumo humano não devem ser destinados à alimentação de pessoas.

Quando não houver possibilidade de aproveitamento, a empresa deve considerar alternativas de tratamento ou destinação ambientalmente adequada, conforme a natureza do resíduo.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei nº 12.305/2010, estabelece princípios e diretrizes para a gestão e o gerenciamento de resíduos, incluindo a redução da geração e a destinação adequada.


Quais indicadores ajudam a medir o desperdício na logística sustentável?

Os indicadores permitem verificar se as medidas adotadas realmente estão reduzindo as perdas. Em vez de acompanhar apenas a quantidade descartada, a distribuidora deve relacionar o desperdício ao valor das mercadorias, às operações realizadas e às causas identificadas.

Taxa de perdas de mercadorias

Esse indicador mostra a proporção de produtos perdidos em relação ao volume movimentado no período.

Uma forma de calcular é:

Taxa de perdas (%) = (quantidade perdida ÷ quantidade recebida ou movimentada no período) × 100

Exemplo hipotético:

Uma distribuidora recebeu 5.000 unidades durante determinado período e registrou a perda de 100 unidades.

(100 ÷ 5.000) × 100 = 2%.

A taxa de perdas foi de 2%.

Para evitar distorções, é importante manter a mesma metodologia de cálculo entre os períodos e analisar produtos comparáveis. Quando houver mercadorias com unidades ou valores muito diferentes, o indicador financeiro pode ser mais adequado.

Valor financeiro das mercadorias perdidas

A quantidade perdida não demonstra necessariamente a dimensão do prejuízo.

Imagine que duas distribuidoras tenham descartado 20 unidades de produtos diferentes.

Na primeira, cada unidade custou R$ 10. Na segunda, cada unidade custou R$ 150.

Os valores das perdas seriam:

Situação Quantidade perdida Custo unitário Perda financeira
Produto A 20 R$ 10,00 R$ 200,00
Produto B 20 R$ 150,00 R$ 3.000,00

Mesmo com quantidades iguais, o impacto financeiro é diferente.

Por isso, é recomendável acompanhar as perdas pelo custo das mercadorias, além da quantidade física.

Percentual de devoluções por erro operacional

Esse indicador ajuda a identificar falhas de separação, carregamento e entrega.

Taxa de devoluções por erro (%) = (pedidos devolvidos por erro operacional ÷ total de pedidos entregues) × 100

Imagine uma distribuidora que entregou 800 pedidos e recebeu 24 devoluções provocadas por erros internos.

(24 ÷ 800) × 100 = 3%.

Nesse cenário, 3% dos pedidos entregues tiveram devoluções relacionadas a falhas operacionais.

O acompanhamento deve distinguir devoluções por erro da empresa de outros motivos, como desistências ou situações comerciais.

Produtos próximos do vencimento

Além de acompanhar perdas que já ocorreram, é importante monitorar mercadorias que apresentam risco de desperdício.

Um relatório de produtos próximos do vencimento pode apresentar a quantidade disponível, a data de validade, o custo total e a média de vendas.

Essas informações permitem identificar quais produtos possuem maior risco de não serem comercializados a tempo.

A vantagem desse indicador é permitir uma atuação preventiva, antes que a perda se concretize.


Como um sistema ERP pode ajudar a reduzir os desperdícios?

Um sistema ERP pode apoiar a redução de desperdícios ao integrar informações de compras, vendas, estoque e movimentações. Quando os dados estão organizados, a distribuidora consegue identificar excessos, acompanhar mercadorias, investigar divergências e tomar decisões com base na situação real da operação.

Em empresas que utilizam planilhas diferentes para cada setor, as informações podem ficar desatualizadas.

Por exemplo, o setor comercial pode vender mercadorias que estão reservadas, enquanto o setor de compras pode realizar reposições sem considerar produtos que já estão disponíveis.

Essas situações aumentam o risco de compras incorretas, movimentações desnecessárias e falhas nas entregas.

Um sistema para atacado pode ajudar a centralizar essas operações e organizar os processos comerciais e de estoque.

Recursos importantes para evitar perdas

Ao avaliar um ERP, a distribuidora deve verificar se a solução oferece recursos adequados ao seu tipo de mercadoria e à complexidade operacional.

Entre os recursos que merecem atenção estão o controle por lote e validade, a identificação por código de barras, a consulta de saldos por depósito, o registro de perdas e devoluções, o histórico de movimentações e os relatórios de produtos com baixa rotatividade.

Para empresas que trabalham com alimentos, também é importante considerar as necessidades de rastreabilidade e conservação dos produtos.

O conteúdo sobre ERP para indústria de alimentos apresenta aspectos da integração de processos que também merecem atenção nas operações de abastecimento e distribuição desse segmento.

Além disso, conhecer os recursos essenciais de um ERP para distribuidora pode ajudar a identificar quais funcionalidades são necessárias para melhorar o controle interno.

O sistema, entretanto, precisa acompanhar procedimentos bem definidos.

Se a equipe não registra as perdas, não confere as entradas ou realiza ajustes sem investigar as causas, os relatórios continuarão apresentando informações incompletas.

A tecnologia facilita o controle, mas a redução do desperdício depende da qualidade dos processos e dos registros.


Como começar a aplicar a logística sustentável na distribuidora?

A implementação pode começar com mudanças simples, sem exigir uma reformulação completa da operação. O primeiro passo é identificar quais perdas são mais frequentes, definir responsáveis e acompanhar os resultados. Depois, a empresa pode ampliar as melhorias conforme os problemas encontrados.

Uma distribuidora pode organizar o primeiro mês de trabalho da seguinte maneira:

Primeira semana: identificar e registrar as perdas

Levantar mercadorias vencidas, avariadas, devolvidas e descartadas. Registrar quantidades, custos, causas e setores envolvidos.

Segunda semana: corrigir os problemas mais frequentes

Revisar os critérios de compras, a organização dos lotes, as condições de armazenamento e os procedimentos de recebimento.

Terceira semana: melhorar as movimentações e entregas

Organizar a conferência dos pedidos, verificar o carregamento e analisar as principais causas de devolução.

Quarta semana: avaliar resultados e definir a continuidade

Conferir os indicadores disponíveis, revisar as causas que continuam gerando perdas e estabelecer medidas para o mês seguinte.

Esse cronograma é um exemplo de implantação inicial. Em operações maiores, algumas atividades podem exigir mais tempo ou acontecer simultaneamente.

O acompanhamento deve continuar após o primeiro mês, porque a redução das perdas depende de procedimentos consistentes.


Conclusão

A logística sustentável não se limita à economia de combustível ou à escolha de embalagens recicláveis. Ela também envolve evitar que mercadorias sejam compradas em excesso, armazenadas incorretamente, danificadas durante a movimentação ou devolvidas por erros operacionais.

Para diminuir esses problemas, a distribuidora precisa conhecer a demanda dos clientes, acompanhar a validade dos produtos, manter os registros de estoque confiáveis e melhorar a conferência das entregas.

Também é importante medir as perdas e identificar suas causas, evitando que os mesmos problemas se repitam.

Com processos organizados e informações atualizadas, a empresa consegue aproveitar melhor as mercadorias disponíveis, reduzir despesas desnecessárias e tornar suas operações mais eficientes.

O resultado é uma distribuição que utiliza seus recursos de maneira mais responsável, sem comprometer a qualidade dos produtos nem o atendimento aos clientes.


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